31 de outubro de 2009

ESTUDO SOBRE O LIVRO DE JEREMIAS - parte 4

A PRIMEIRA E A SEGUNDA DEPORTAÇÃO DE EXILADOS


(Jr 13-29)

As profecias que estudaremos nesta lição tratam da primeira e segunda levas de judeus para o cativeiro.

Historicamente a nação estava a beira de uma total destruição. Como areia que está acabando de passar na ampulheta, assim estava passando o tempo para israel se arrepender e deste modo evitar o julgamento divino.

Esse tempo estava se esgotando rapidamente. Apesar de duas levas de cativos terem antes seguido para Babilônia, os que permaneceram no país continuaram resistindo à vontade de Deus.

Deus poderia ter executado julgamento imediato sobre Israel, mas Ele pacientemente prolongou a sua queda final, dando a seu povo tempo e oportunidade para se arrepender.

Os 70 anos de cativeiro começou com a primeira deportação de exilados, em 606 a.C. Esse pequeno grupo era composto de descendentes da casa real. Como narrado no livro de Daniel, esses cativos eram como se fossem os convidados de Nabucodonosor. Seu plano era desmotivar nova rebelião contra Babilônia, através desta prática. Jeremias usou a partida deles , como uma admoestação ligada a um futuro julgamento. Ele via essa primeira deportação como a "entrada" de um pagamento que eventualmente teria que ser completado por causa do pecado, caso o povo não se arrependesse.

Quando Jeremias sentiu que chegaria o tempo certo para o arrependimento do povo, ele enviou uma mensagem especial ao rei Jeoaquim (uma cópia dos primeiros capítulos desta profecia). O rei respondeu , lançando o rolo no fogo. Seguiu-se nova revolta do rei. Esta revolta resultou num segundo ataque de Babilônia e uma segunda deportação.

O rei Jeoaquim morreu durante este cerco, mas seu filho, e o profeta Ezequiel e 10.000 outros cativos foram levados a Babilônia por causa da revolta levada a efeito pelo rei.

Neste capítulo estudaremos as profecias de Jeremias, concernente a estas duas deportações. Isto nos levará ao momento final da grande deportação , na qual Jerusalém foi destruída e a zona rural deixada deserta.


A PRIMEIRA DEPORTAÇÃO

(Caps . 25-26)

Embora o livro de Jeremias não tenha sido escrito em ordem cronológica, o tempo de certos eventos é claramente assinalado no livro. Uma data tão importante, regularmente citada é a que se refere ao "ano quarto de Jeoaquim" (Jr 25.1; 36.1; 45.1; 46.2).

O quarto ano deste rei ocorreu em 606. a.C . Esta é uma das datas importantes na Bíblia, visto que marca o começo do cativeiro da Babilônia. Neste quarto ano de Jeoaquim, Babilônia fez de Judá um estado-escravo e tomou os filhos de todas as famílias nobres de Jerusalém como reféns. Embora isto tenha acontecido entre os eventos dos capítulos 12 e 13, é discutido em vários lugares através do livro.

A Profecia dos 70 Anos de Cativeiro (Jr 25)

Jeremias profetizou que os exércitos de Babilônia, então em marcha , seriam vitoriosos sobre os seus adversários e levariam cativos os judeus para Babilônia, para lá ficarem 70 anos (Jr 25.11-12).

Mais tarde, Daniel teve coragem de orar para o cumprimento desta profecia. Como ele fazia parte do primeiro grupo de exilados, podia calcular com facilidade quando precisamente os setenta anos terminariam (Dn 9.2).

O Exílio

Em 606 a.C Babilônia atacou Judá e facilmente sujeitou-a (Jr 46.2). Para assegurar a lealdade do rei Jeoaquim, Nabudonosor levou, como reféns, um grande número de jovens das famílias mais destacadas. No ano seguinte (605 a.C), Babilônia derrotou o Egito na famosa batalha de Carquêmia, tornando-se fácil para ela manter o jugo opressor sobre Judá.

Jeoaquim escapou por pouco de ser levado como refém também. Ele foi preso com correntes de bronze, com o intento de ser levado para a Babilônia, mas em vez disso, ele foi solto para reassumir sua posição como rei vassalo (2 Cr 36.6).

Durante a tomada de Jerusalém pelos babilônios, o templo foi saqueado e os objetos sagrados, inclusive a arca da aliança, levados para Babilônia, para decorar templos pagãos. Isso foi o cumprimento das profecias de Jeremias durante suas mensagens no templo (2 Rs 24.13).

A Mensagem Divina é Queimada (Jr 36)

Com o horror e a tristeza da primeira deportação ainda vívida na mente do povo, Jeremias achou que seria uma hora oportuna para falar-lhe do arrependimento. Uma vez que ele mesmo estava encarcerado e não podia ir ao templo, ele ditou a mensagem a seu secretário particular , Baruque (Jr 36.5,6).

Jeremias decidiu que a melhor hora para apresentar esta mensagem ao povo seria num grande dia de jejum que tinha sido proclamado. De um ponto estratégico do templo, Baruque leu a mensagem, a qual despertou muito interesse . Um dos oficiais do rei, ao ouvir a mensagem , ficou tão impressionado que pediu para Baruque lê-la de novo numa reunião particular com outros oficiais. Depois desta segunda leitura, foi decidido que o rei teria que ouvir esta mensagem divina.

Os oficiais sabiam que o rei podia irar-se contra esta mensagem, e tentar matar Jeremias. Para evitar estes riscos, eles Instruiram Jeremias a se esconder enquanto eles foram ler a mensagem para o rei.

Quando encontraram o rei, ele estava em seu palácio de inverno esquentando-se diante de um braseiro aceso. O rei escutou a leitura de somente algumas páginas da mensagem, antes de ficar dominado de ódio e cortar a mensagem em pequenos pedaços com uma faca. Ele jogou os pedaços no fogo que estava no braseiro e ordenou que prendessem Jeremias e Baruque. Porém, a tentativa do rei evitar que Jeremias continuasse a receber e transmitir as mensagens de Deus resultou em vão, porque nem ele nem Baruque podiam ser encontrados, pois " o Senhor os havia escondido" (Jr 36.26).

Jeremias reescreveu depois esta mensagen e acrescentou outras que Deus lhe tinha dado. O fato de hoje podemos ler a mesma mensagem que Jeoaquim queimou séculos atrás é uma grande lição de que a Palavra de Deus é eterna; ela não pode ser destruída.

UM POVO SEM ESPERANÇA

(Cap. 13-17)

Como o exílio de 606 a.C. não refreou em quase nada os pecados de Judá, Deus teve que lançar mão de mais uma outra deportação para chamar a atenção do seu povo. Os capítulos de 13 a 17 falam de como Deus procurou chamar seu povo ao arrependimento com sermões persuasivos e a provação de uma seca, mas foi em vão. Concluindo que a concessão da misericórdia em nada adiantava, Deus declarou que mais uma vez iria punir Judá. Até as orações de intercessão de Jeremias não iriam evitar este castigo. Daí lhe determinou que não orasse por eles, porque não adiantaria (Jr 11.14)

O CINTO DE LINHO (Jr 13)

A fim de ilustrar a seriedade dos pecados de Judá, Jeremias foi instruído a levar seu lindo cinto de sacerdote, para Babilônia e enterrá-lo alí. Anos mais tarde quando ele foi recuperá-lo o cinto estava sujo, podre e sem valor algum.

Esta experiência serviu como uma ilustração de sermão para mostrar como Judá, simbolizado pelo cinto, tinha se corrompido. Judá, a propriedade peculiar de Deus, tinha ido para Babilônia e alí se iludiu com seus valores, filosofias, e códigos morais. Agora Deus estava querendo dizer a seu povo que, devido a sua condição pecaminosa, Ele iria permitir que eles fossem levados novamente para Babilônia, não mais como reféns, mas como escravos.

Esse é o efeito do pecado sobre qualquer vida. Aquilo que começa como uma simples satisfação do desejo, logo se transforma num tirano da alma, dominando-a, como uma escrava.

Duas ilustrações famosas são apresentadas no final do capítulo 13, o qual descreve os hábitos pecaminosos arraigados em Judá, que resultaram no seu exílio em Babilônia. Observe como cada um representa vividamente o pecado como parte da própria natureza de Judá: eles tinham se tornado totalmente escravizados por ele (Jr 13.23).

ESPERANÇA PARA O INDÍVÍDUO (Jr 17)

Embora Judá, como nação, estivesse condenada ao julgamento, Deus aceitaria com alegria o arrependimento de qualquer indivíduo judeu que quizesse confiar nele para sua salvação. Este é um tema importante no livro de Jeremias. Ele enfatiza constantemente a responsabilidade inidividual pelo pecado e pela salvação.

O capítulo 17 registra a ilustração que Deus apresenta a respeito daqueles que confiam em sí mesmos para a salvação em contraposição àqueles que confiam no Senhor (Jr 17.5-9). O homem que confia em sí mesmo é semelhante ao arbusto do deserto que morre por falta de água. O homem que confia no Senhor para sua salvação é comparado à arvore plantada à beira do rio, e que está sempre verde.

Finalmente, Deus admoesta a cada um para não fazer simplesmente o que o seu coração lhe diz, por ser este muito enganoso. Em vez disto o indivíduo deve viver inteiramente para Deus, o qual recompensará a cada um de acordo com suas obras. (Jr 17.9-10).

A SEGUNDA DEPORTAÇÃO

(Jr 18-20)

Jeoaquim rebelou-se não só contra Deus mas também contra Nabudonosor. Apesar de já haver judeus cativos em Babilônia, ele decidiu rebelar-se novamente. Ele pensou que se deixasse de pagar tributos à Babilônia não seria punido, já que Nabucodonosor estava envolvido em muitas outras guerras, e possivelmente não teria tempo para se preocupar com Judá. Esta estratégia funcionou durante alguns anos , mas em 598 a.C., Nabucodonosor voltou para punir Judá. Assim, teve lugar a segunda deportação.

O OLEIRO E O BARRO (Jr 18)

Próximo a época do cerco de Jerusalém, em 598 a.C., Deus ordenou a Jeremias para ir à casa do oleiro onde Ele lhe entregaria uma mensagem para Judá, representada por um vaso de barro. A mensagem foi comunicada num paralelo simbólico, em que o relacionamento de Deus com Judá é comparado ao relacionamento do oleiro com o barro. Enquanto o oleiro dava forma a um vaso de barro, ele observou um elemento estranho que estava estragando a superfície. Removendo a partícula, ele amassou o barro de novo e refez o vaso, transformando-o num utensílio perfeito.

Do mesmo modo, Deus encontrara sua obra de arte, Judá, deformada pelo pecado. Se ele fosse moldável em suas mãos, Ele podia remover suas imperfeições e mudá-lo de acordo com Seus planos de justiça e de paz.

Entretanto, o povo de Judá escolheu endurecer seu coração como argila cozida ao forno . Se Judá tivesse se submetido à vontade de Deus , Ele poderia ter se arrependido do julgamento que determinara. Ao invés disso , ele escolhera seguir sua teimosia, recusando ser "moldável" perante Deus. A triste resposta de Judá foi "Não há esperança, porque andaremos consoante os nossos projetos, e cada um fará segundo a dureza do seu coração malígno " (Jr 18.12) .

Observe que o versículo 10, do capítulo 18 afirma que Deus poderia "se arrepender". Isto não tem o sentido de culpa ou erro da parte de Deus. Ao contrário, a palavra significa literalmente uma mudança da Sua parte nos atos decretados, por causa de mudança espiritual entre os homens, no seu modo de viver e agir. Se Judá tivesse voltado arrependido, o julgamento que Deus havia pronunciado contra ele, teria se tornado desnecessário. É isso que é chamado arrependimento de Deus, que o povo por não entender , distorce o sentido.

O VASO QUEBRADO (Jr 19)

O episódio do vaso relatado no capítulo 19 é praticamente da mesma natureza que a ilustração do barro, do capítulo 18. Conforme Jeremias esclarece, Judá recusara a sumeter-se à mudança de vida que Deus exigia. Neste exemplo, Judá é descrito como um vaso que , ao ser moldado , endureceu-se de forma distorcida e inútil. Jeremias tomou o vaso deformado e o quebrou no Vale do filho de Hinom (Jr19.1-6).

Nesse mesmo vale, Judá havia cometido pecados abomináveis; tinha até mesmo oferecido sacrifícios humanos a deuses estranhos. Jeremias disse que o vale passaria, então, a ter um novo nome; seria chamado de "o vale da Matança", pois os babilônios matariam milhares de judeus rebeldes nesse exato lugar (Jr 19.7,8); 7.31-33).

O Tronco (Jr 20)

Ao completar o sermão do vaso quebrado, Jeremias subiu do vale para a entrada do templo, onde ele recomeçou a pregar. Sua mensagem, como de costume, ofendeu ao povo. Ele estava proibido de pregar no templo, então Pasur, o sumo sacerdote do templo, mandou açoitá-lo e colocá-lo no tronco.

Jeremias foi solto no dia seguinte, quase que completamente arrasado em seu espírito. Ele reclamou a Deus, dizendo que a pregação da mensagem lhe causara grande desencorajamento por causa do desprezo e da ofensa pessoal que sofreu. Tal era a sua revolta, que estava decidido a já não mais pronunciar nem o nome de Deus. Entretanto, sua chamada era real e a Palavra de Deus foi como força viva na sua alma. Assim logo ele voltou a pregar a mensagem de Deus (Jr 20.9).

O EXÍLIO (Jr 20)

Logo após a entrega dessas mensagens , Jerusalém foi sitiada e dominada pelo exército de Babilônia por mais de um ano. Durante esse tempo , o perverso rei Jeoaquim morreu e seu corpo foi lançado fora do portão da cidade sem ter um funeral decente, como se seu corpo fosse a carcassa de um jumento (Jr 22.19).

Jeoaquim foi sucedido por seu filho Jeconias (Joaquim), o qual reinou apenas três meses. Quando o cerco terminou numa batalha , ele e sua mãe foram levados a Babilônia junto com aproximadamente 10.000 outros judeus (Jr 22.26).

Este segundo grupo de cativos era composto de líderes do povo, os melhores soldados e os exímios artesãos (2 Rs 24.14). Pasur, o oficial do templo que prendera Jeremias, também estava nesse grupo (Jr 20.6) .

Saudações em Cristo Jesus .